— Você é uma mulher intrigante, você costuma me mandar cartas, costuma me questionar e principalmente me ajudar. Eu sou um idiota, e em um dia que eu estava idiotando, algo como um feixe de memória relampejou em minha mente e eu pensei, será que uma pessoa que entende tanto o próximo, já sofreu ou sofre igual a ele? Será que a Julie se sente assim? Às vezes desolada, como eu ou até mesmo, coisado como “ela”? - meu amor. Será que a Julie é uma pessoa triste? Será que ela tem um amor? Será que ela é sozinha ou ela tem família? Sabe Julie, não sou bom suficiente para questionar, não para questionar você, e menos ainda na minha primeira carta. Estou aqui para me questionar - Ela já me mandou milhares de cartas e em nenhuma dela eu perguntei se ela estava bem, se ela precisava conversar sobre algo, eu sei que ela gosta de me ajudar, não sei o resto do mundo, mas eu a admiro. Ela é uma ótima pessoa, eu deveria ter perguntando como ela está, deveria ser menos egoísta - É Julie, eu sou egoísta, todo esse tempo eu pensei somente em mim, esquecendo de que todos temos nossos próprios fardos para carregar. Foquei em tentar ser feliz que nem percebi sua solidão, não sei se ama ou tem alguém, mas você é uma pessoa solitária, não vejo seus olhos, mais percebo em suas palavras. Me admira alguém como você gostar de ajudar os outros, me admira você não se ajudar na mesma intensidade que me ajuda. Julie menina, olhe mais para si própria, você esta morrendo enquanto me salva, você esta entrando na área de risco, para me mostrar o que acontece quando alguém entra lá, somente para me mostrar o erro, e me ensinar. Não! Não posso deixar que isso aconteça, sinceramente, eu espero que eu esteja errado, ou exagerando, mas se eu estiver um pouquinho que seja certo, minha cara, peço que por favor não faça isso. Não por mim!
— Sabe Durk, não conto história alheia não. Só sei desenhar as minhas. Cada palavra escrita para você, só traduz o que sofri. Só revivi o que senti, como quando o meu coração desmontou de tão aguado. De tão abatido. Coração fraco esse meu. Você me pede para que eu cuide mais de mim mesma, mas eu não sei fazer isso não. Esnobo seus ruídos. Não me importo comigo. Só me interessam os corpos que alcancei e os olhares que perdi. Só há beleza quando sobro. Só há palavras quando meus sonhos se despedem de mim. Ou desaparecem sem telefonema, sem post-it na geladeira. A sua história comove a minha vontade de popular telas em branco. As suas lágrimas soam como músicas ao meu ouvido. Meu eu é egoísta demais para abrigar amores que não me pertencem. E de fato o seu, a sua história me prendeu. Não me odeie não, Durk. Mas é que ultimamente a falta dele- do amor -tomou conta de todo o meu eu. Só posso rabiscar por mim. Tentar decifrar o que querem as borrachas, que passam à força por cima das minhas paixões, me obrigando a apagar o que vivo e que está bom. A mentir que não me importo. Que não gosto. Gastando dias inteiros com lembranças. Escondendo carências. Por isso, Durk, me entenda. Seu romance é livro na minha estante. E essa minha tristeza, a única coisa na cabeceira.”
Ei derrotado, o que ela significa pra ti?
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